As ações afirmativas no ensino superior envolvem a incorporação de temas e epistemologias que contribuem para a composição das pautas de pesquisa das diferentes áreas e modos de produção do conhecimento, oriundas dos grupos sociais que passam a integrar de maneira mais representativa na universidade.
Nessa perspectiva, a PRP tem buscado atuar no apoio à inserção desses grupos nos sistemas de pesquisa. Em 2025, foram dois editais específicos lançados nesse conjunto de ações: o Edital Mais Mulheres na Pesquisa (Edital PRP 14/2025) e o Edital Pesquisadores Indígenas: Primeiros Projetos (Edital PRP 20/2025).
O Edital Mais Mulheres na Pesquisa teve como disparador o estudo realizado pela PRP junto com o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), publicado no Jornal da Unicamp, que constatou a desigualdade de gênero na produção científica da Universidade. Dentre as recomendações do estudo, estava a promoção de fomentos específicos para subsidiar a atuação das mulheres na pesquisa. A constatação de que professoras e pesquisadoras enfrentam desafios adicionais para o desenvolvimento de parcerias internacionais devido à “economia do cuidado”, além da prevalência masculina na liderança de grandes projetos e redes de colaboração, motivou a criação de um edital específico para incentivar a criação de novas redes lideradas por mulheres, cujo principal produto seria a proposição de um projeto em conjunto.
Para essa iniciativa, a PRP destinou R$ 400.000,000, visando apoiar até 10 projetos, envolvendo as despesas para as missões de trabalho. Entretanto, a demanda recebida foi expressiva (114 pedidos) e foi feito um aporte adicional de R$ 400.000,00, visando contemplar o maior número possível de propostas bem qualificadas. As propostas foram avaliadas e julgadas criteriosamente pelos pareceristas e consultores dos comitês assessores do FAEPEX. No total, foram aprovadas 25 propostas, dos campi de Campinas, Limeira e Piracicaba, de professoras de todas as etapas da carreira, mas com destaque para aquelas que se encontram na sua parte inicial. As propostas aprovadas deverão ser executadas em até 24 meses e envolvem articulações com pesquisadore(a)s de países como Portugal, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, África do Sul, Canadá, Espanha, México, Argentina, Suíça, França, Áustria e Itália.
Quanto ao Edital Pesquisadores Indígenas: Primeiros Projetos, foi destinado aos estudantes ingressantes pelo Vestibular Indígena da UNICAMP. Iniciado em 2018 (com as primeiras entradas em 2019), envolve um público de mais de 400 estudantes oriundos de mais de 60 povos distintos de todas as regiões do país, mas com ampla prevalência de estudantes oriundos da região amazônica.
A motivação para tal edital está relacionada à constatação da dificuldade dos alunos indígenas de entrarem no sistema PIBIC. Com os diferentes desafios relacionados à presença indígena na UNICAMP, a taxa de aprovação por submissão dos indígenas tem sido a que apresenta pior relação em comparação com os demais grupos (inferior a 40%). Além disso, há demanda por realização de pesquisas articuladas com suas comunidades de origem, tanto como forma de retorno social, quanto como maneira de aproximar a universidade das comunidades. Nesse sentido, o edital foi concebido para oferecer, além de bolsa de iniciação científica, financiamento para realização de atividades de campo e/ou outros subsídios que viabilizem trabalhos nas comunidades de origem. Espera-se, com essa estratégia, que uma via de mão dupla se estabeleça, contribuindo para a presença das comunidades na universidade e da universidade nas comunidades, produzindo impactos de ambos os lados.
Foram destinados R$ 160.000,00, objetivando apoiar oito propostas, que contemplam, bolsa de iniciação científica e recursos para custear as despesas dos estudantes na pesquisa, como trabalhos de campo. Foram recebidas 25 propostas, 60% a mais que os pedidos comumente enviados ao PIBIC, e apenas ¼ daqueles que submeteram pedidos PIBIC em 2025, o que demonstra que o edital também atingiu seu objetivo.
As propostas contemplam todas as áreas do conhecimento, com prevalência das humanidades. Os projetos envolvem estudantes de mais de 20 cursos, de pelo menos oito povos diferentes (Baniwa, Tukano, Baré, Kumaruara, Kambeba, Tikuna, Waurá, Kubeu), além de alguns projetos que envolvem áreas (como a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas) que são habitadas por diversos povos. No conjunto, as propostas representam parte da grande diversidade de realidades e problemáticas que envolvem os povos indígenas presentes atualmente na comunidade da UNICAMP.
Foram aprovados oito projetos, contemplando assim 32% da demanda, utilizando todo recurso destinado ao edital. Somando-se com os sete aprovados no PIBIC, o edital proporciona dobrar o número de estudantes contemplados com apoio para desenvolverem suas iniciações científicas. Os temas contemplam pesquisas relacionadas à arte, ao saneamento básico, à alimentação, à vulnerabilidade e à educação infantil.
O sucesso dos dois editais mostra a necessidade de fortalecimento de tais ações no âmbito da Pesquisa, de maneira a integrar as políticas no campo da graduação, da pós-graduação, da extensão e das demais áreas de atuação da UNICAMP.
Consulte no site da PRP as iniciativas relacionadas às Ações Afirmativas em Pesquisa.